Após queda de jovem do 7º andar de hotel no MA, especialistas explicam regras de segurança para janelas em edifícios
Imagens mostram momento em que jovem cai do 7º andar de hotel em São Luís O caso da jovem Renata Rebeca Negrão Saldanha dos Santos, de 26 anos, que morreu a...
Imagens mostram momento em que jovem cai do 7º andar de hotel em São Luís O caso da jovem Renata Rebeca Negrão Saldanha dos Santos, de 26 anos, que morreu após cair do sétimo andar de um hotel no bairro Ponta d’Areia, em São Luís, levantou questionamentos sobre a segurança de janelas e outras estruturas em edifícios. Após o acidente, o hotel passou por uma vistoria do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA), mas ainda não há previsão para a divulgação dos resultados. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp Um dos pontos questionados foi a estrutura e a altura da janela de onde a jovem caiu. Projetos arquitetônicos devem seguir normas técnicas estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que definem critérios de segurança para diferentes elementos das edificações. Entre elas estão a NBR 14718, que trata dos guarda-corpos, a NBR 10821, que estabelece requisitos para esquadrias, e a NBR 7199, que regulamenta as aplicações de vidros na construção civil. A NBR 14718 estabelece altura mínima de 1,10 metro para guarda-corpos, conforme as condições previstas na norma. Já o parâmetro de 90 centímetros aparece em situações específicas de instalação desse tipo de estrutura sobre ou junto a muretas. ➡️ A norma, no entanto, não estabelece uma altura mínima universal para o peitoril de todas as janelas. Ao g1, o arquiteto Rafael Campos diz que não existe uma única norma da ABNT que reúna todas as exigências de segurança para janelas em hotéis e edifícios. Para ele, o parâmetro de 90 centímetros de altura do peitoril, não deve ser interpretado como uma regra universal para todos os tipos de abertura. "A questão da segurança das janelas em edifícios altos envolve muito mais do que simplesmente estabelecer uma altura mínima para o peitoril. Existem normas técnicas que precisam ser observadas, como a NBR 14718, que trata dos guarda-corpos e dos requisitos de proteção. O parâmetro de 90 centímetros, por exemplo, aparece em situações específicas da norma, mas não deve ser interpretado como uma regra universal para todos os tipos de janelas", disse. LEIA MAIS: Quem era a jovem de 26 anos que morreu após cair do 7º andar de hotel em São Luís Corpo de jovem que morreu em São Luís após queda de hotel chega ao PA: ‘Eu espero justiça’, diz mãe Corpo de jovem que morreu em São Luís após queda de hotel é velado e sepultado na Grande Belém O engenheiro civil e professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Mikhail Lucynski, afirmou ao g1 que, pelas imagens, a altura da estrutura da janela onde ocorreu o acidente estava muito abaixo das medidas recomendadas, que, em alguns casos, variam entre até 1,20 metro, segundo ele. O engenheiro destaca que a esquadria de alumínio da estrutura da janela onde o acidente aconteceu deveria oferecer resistência suficiente para garantir a segurança, mesmo sem ter função estrutural. "Independente de hotel ou não, a edificação, a gente tem a altura do peitoril, o guarda-corpo, em torno de um metro, um metro e vinte. Essa janela, ela estava com uma altura muito abaixo disso, isso é fato, mas a garantia era que a esquadrilha, ela desse uma segurança, até mesmo na questão de manutenção, mas não teve", explicou. Estrutura das janelas localizadas na fachada do hotel em São Luís onde o acidente aconteceu. Reprodução/Redes Sociais A NBR 14718 também passou por um processo de revisão em 2026. A proposta de atualização foi submetida à consulta nacional, etapa em que profissionais e interessados puderam analisar o texto e apresentar sugestões à ABNT. O prazo para contribuições terminou em 2 de julho. O arquiteto Rafael Campos explica que, do ponto de vista arquitetônico, uma janela com o peitoril mais baixo não representa necessariamente um erro de projeto. Esse tipo de estrutura pode ser utilizado para ampliar a entrada de luz natural e proporcionar maior integração visual com a paisagem. No entanto, principalmente em edifícios altos, como o hotel onde o acidente aconteceu, é necessário que o projeto preveja dispositivos de proteção adequados. "Do ponto de vista arquitetônico, uma janela com peitoril mais baixo não é necessariamente um erro de projeto. Hoje existem soluções que valorizam grandes aberturas, iluminação natural e integração visual com a paisagem. Mas, principalmente em edifícios altos, é indispensável que essas soluções sejam acompanhadas de dispositivos de proteção adequados, como guarda-corpos e sistemas de esquadrias que ofereçam segurança aos usuários”, disse. Falta de manutenção pode comprometer segurança Polícia Civil divulga novos detalhes sobre morte de mulher na Ponta d'Areia Além da altura do peitoril, a conservação das estruturas das janelas e sacadas também é um fator importante para a segurança. Na avaliação do engenheiro civil e professor Mikhail Lucynski, a falta de manutenção da esquadria de alumínio pode ter contribuído para o acidente no hotel. A NBR 10821 estabelece requisitos relacionados ao desempenho, à instalação e à manutenção das esquadrias utilizadas nas edificações. A norma prevê critérios para avaliar a resistência e a segurança desses elementos durante o uso. "O problema todo que aconteceu é porque a estrutura de alumínio não foi feita uma manutenção em que ela tivesse a devida resistência quando alguém fosse, de repente, encostar na peça. A esquadrilha não tem função estrutural, mas era para ela resistir um esforço mínimo, até mesmo quando a gente faz a fixação dos elementos de vedação, no caso, o vidro", afirmou. O engenheiro explicou que, na situação do hotel, a estrutura estaria solta e não teria suportado o contato. "E, do jeito que estava ali, o que aconteceu? A tragédia ocorreu porque ela encostou e o vidro e a estrutura, a esquadrilha, ela estava solta, ela estava fechada de tal forma que veio abaixo onde ela estava, a folha da parte da esquadrilha", disse. O arquiteto Rafael Campos destaca as particularidades dos empreendimentos hoteleiros. Segundo ele, os hotéis recebem pessoas que não conhecem o funcionamento das estruturas e podem não identificar determinadas situações de risco. "No caso dos hotéis, existe uma particularidade importante: estamos falando de pessoas que não conhecem o ambiente, não sabem necessariamente como as janelas funcionam e podem não identificar determinadas situações de risco. Por isso, o arquiteto precisa considerar o comportamento previsível dos hóspedes e pensar na segurança para além da questão estética e funcional", completou. Estruturas de proteção teriam evitado o acidente, diz engenheiro Além da altura do peitoril, outros elementos podem contribuir para a segurança de janelas em edifícios altos. Entre eles estão guarda-corpos, vidros de segurança, limitadores de abertura e telas de proteção, além da sinalização como medida preventiva, com avisos sobre os riscos de apoiar-se nas esquadrias. A NBR 7199 estabelece critérios para a aplicação de vidros na construção civil, incluindo requisitos para a utilização de vidros de segurança em situações que oferecem risco de queda. A escolha do tipo de vidro deve considerar as características da edificação e as condições de instalação. As medidas de proteção devem ser definidas de acordo com as características de cada edificação e com os requisitos técnicos aplicáveis. A escolha dos dispositivos precisa considerar a estrutura da janela, a altura do prédio e a segurança de quem utiliza o ambiente. De acordo com Mikhail Lucynski, uma das alternativas para estruturas como a do hotel seria instalar uma tela de proteção na parte externa da janela. A medida ajudaria a reduzir os riscos sem necessariamente modificar a arquitetura da fachada. "O correto, até para não mudar a arquitetura da fachada, é colocar uma tela de proteção na parte externa. O que a gente costuma fazer é sinalizar ou também, a gente pode colocar uma tela de proteção da parte externa justamente para mitigar possíveis acidentes que possam acontecer, como o que ocorreu com a tragédia", explicou o professor. Entenda o caso Renata estava em São Luís para participar de um campeonato de pôquer Reprodução Renata Rebeca Negrão Saldanha dos Santos, de 26 anos, que morreu após cair do sétimo andar de um hotel em São Luís, era de Ananindeua, no Pará, e deixou dois filhos pequenos. A jovem estava na capital maranhense com o namorado para participar de um campeonato de pôquer. Renata morreu na madrugada de terça-feira (3), após uma estrutura de alumínio de uma janela se desprender no Rio Poty Hotel, no bairro Ponta d'Areia. Segundo a Polícia Civil, o caso é investigado como morte acidental. O corpo de Renata foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) no início da tarde de terça-feira. A previsão é que o velório aconteça em Ananindeua, cidade onde ela morava. O corpo da jovem foi velado e sepultado na Grande Belém nesta quinta-feira (5). A jovem e o namorado estavam em São Luís desde a última quarta-feira (28) e tinham previsão de retornar ao Pará na terça-feira (3), dia em que ocorreu o acidente. Mulher de 26 anos morre após estrutura de janela se desprender em hotel de São Luís Reprodução/TV Mirante O delegado George Marques, da Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), afirmou que as imagens indicam que a morte foi acidental e descartam, até o momento, a participação do namorado. "A gente vê claramente que não houve qualquer tipo de agressão, não houve empurrão, ele não estava nem próximo dela", afirmou o delegado. O namorado foi ouvido pela Polícia Civil e liberado. Em depoimento, ele afirmou que havia consumido bebidas alcoólicas e que não se lembra do momento da queda. Perícia investiga estrutura da janela A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informou que a Perícia Oficial realizou exames no Rio Poty Hotel para identificar o que provocou o desprendimento da estrutura de alumínio da janela. Segundo a secretaria, os exames ainda estavam em andamento e não havia conclusões técnicas sobre as causas do desprendimento ou eventuais irregularidades. Leia a nota na íntegra. "A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informa que a Perícia Oficial realizou exames no Rio Poty Hotel, em São Luís, para apurar as circunstâncias da queda que resultou na morte de uma mulher de 26 anos, na madrugada desta terça-feira (3). Os trabalhos periciais incluem a análise da estrutura da janela envolvida na ocorrência, com o objetivo de identificar as possíveis causas de seu desprendimento. Os exames ainda estão em andamento e, até o momento, não há conclusões técnicas que permitam determinar o que provocou o desprendimento da estrutura ou apontar eventuais irregularidades. A Polícia Civil conduz a investigação, que contará com os resultados dos exames periciais para o esclarecimento das circunstâncias da morte." O que diz o hotel A TV Mirante procurou a administração do estabelecimento, que recebeu a equipe de reportagem, mas não quis conceder entrevista. Em nota, o Rio Poty Hotel lamentou a morte da vítima e manifestou solidariedade aos familiares e amigos da vítima. Leia a íntegra. "O Rio Poty Hotel manifesta profundo pesar pelo falecimento de uma mulher após a lamentável ocorrência registrada em suas dependências e expressa sua solidariedade aos familiares e amigos neste momento de dor. Desde o primeiro momento, o hotel colocou-se à disposição das autoridades competentes, colaborando com os procedimentos necessários ao esclarecimento dos fatos. A instituição acompanha com respeito e confiança o trabalho da Polícia Civil, reconhecendo sua competência e autonomia na condução das investigações e na apuração das circunstâncias da ocorrência. O Rio Poty Hotel reafirma que a segurança e o bem-estar de hóspedes, colaboradores e visitantes constituem prioridades permanentes de sua gestão. Nesse sentido, mantém seu compromisso com a avaliação e o aprimoramento contínuo dos procedimentos internos de prevenção e segurança. Em respeito à memória da vítima, à privacidade de seus familiares e ao trabalho das autoridades, o hotel não fará especulações sobre o ocorrido. Rio Poty Hotel, São Luís — Maranhão"